segunda-feira, 14 de maio de 2018

Teu Menino



Deixa eu ser pequenino, um menino, no colo teu Deixa eu ser dependente e inconsequentemente eu Me abrigar e aquecer-me em teu ventre como Amor Foi gerado e guardado, Oh Sacrário do Senhor Quero ser iluminado pelo brilho deste céu Que é teu ventre, mãe querida, És rainha és mãe de Deus És a estrela da manhã , És espelho sem igual Não importa onde eu esteja, sempre me livrará do mal Doce mãe, mãe amiga, És consolo em meio à dor Quero sempre proclamar-te, Ave Maria, Mãe do Salador Entre todas as mulheres escolhida pelo Amor Todo teu eu serei sempre, teu menino e cuidador Deixa eu ser...

terça-feira, 8 de maio de 2018



Começo a ver a Tua luz na medida em que com clareza e dor de coração descubro as minhas misérias.

Não queria que esta dor do coração fosse a pena novamente egoísta de não ter sido eficiente! Queria que fosse a pena de não te ter amado, Senhor. Jesus Cristo, dá-me um arrependimento verdadeiro!

Causas? Basta-me uma: Eu dispenso Deus da minha vida! Já não é só a falta de oração, vista como elemento importante do programa. É o não pôr Deus no que projeto e faço; é o bastar-me a mim mesmo.

Morria de sede e não dava por isso! Senhor, dá-me sede, leva-me a beber às Tuas fontes.

Que esperas de mim, Senhor?

– Nova planificação? Não. Se eu a cumprir já é bom. Ajuda-me a cumpri-la, Senhor! Que eu não caia no erro de realizar sempre as obrigações escolares e administrativas, omitindo quase sistematicamente as pastorais. Não quero ser escravo do programa, Senhor, mas quero ser fiel ao dever, que é a minha cruz e a minha oficina de Nazaré, e as minhas estradas da Palestina.

– Mas o principal é centrar a minha vida no Amor. Também vejo hoje que a oração só pela oração, não me basta. Preciso de rezar? Preciso sobretudo de Te encontrar, ó Pai, de Te amar! De me abrir à Tua ação. Por isso é que quero e preciso de rezar.

Centrar a minha vida: são para mim conselho de Deus as palavras do Concílio: «Esta unidade de vida não pode ser realizada com a ordenação meramente externa dos trabalhos do seu ministério, nem só com a prática dos exercícios de piedade, embora ambas as coisas para isso contribuam, favoravelmente. Podem, porém, os sacerdotes realizá-la seguindo (…) o exemplo de Cristo, cujo alimento era fazer a vontade daquele que O enviou para efetuar a sua obra» .

Os sacerdotes alcançarão a unidade unindo-se a Cristo, no conhecimento da vontade do Pai e na doação de si mesmos pelo trabalho que lhes foi confiado.

Senhor, resta-me agradecer o insucesso do Francês. Foi um insucesso, mas foi um sinal. Obrigado por ele, Senhor.

E já que fizeste este favor – o de saber ler o sinal – faz-me um outro favor, ó Jesus: ajuda-me, nesta Quaresma, a ser coerente com o que hoje vi, a centrar a minha vida, contigo, na vontade do Pai.

Converte-me Senhor
D. Albino Cleto
In "Reflexões espirituais e pastorais"

Converte-me Senhor




Embora refletindo a sós comigo mesmo, que estes momentos e este escrito sejam um encontro contigo, Senhor Jesus. Que a reflexão sobre a minha vida não seja mais um cálculo humano e uma correção meramente psicológica, mas que seja sobretudo uma conversão. E és Tu, ó Cristo, quem me converte. Converte-me, Senhor!

Fala-me agora com a clareza que te é peculiar. Sem rodeios nem enigmas. Mostra-me a verdade da minha vida, para que o meu coração seja humilde e eu possa descobrir o teu amor.

Converte-me com a força do teu Espírito, que de uma pedra fez um filho de Abraão, que dá vida a um esqueleto, que cura um cego.

Vinde, Espírito de Deus; mostrai-me a verdade da minha vida, não para eu fazer mais um dos muitos exercícios mentais que já tenho feito, mas para que, revelando-me a verdade, eu me abra à força da Graça, que me converte.

Converte-me Senhor
D. Albino Cleto
In "Reflexões espirituais e pastorais"

quarta-feira, 25 de abril de 2018

A oferta de um gelado:



A oferta de um gelado: Francisco e o bem das pequenas coisas

O papa, por ocasião do seu onomástico, ofereceu três mil gelados aos pobres de Roma (e arredores). Quem criticar Francisco inclusive por este pequeno gesto - poucos, mas certamente não faltarão - esquece que se não se pode fazer as coisas grandes, deve fazer-se as pequenas.

Se não tens instrumentos para construir "corredores humanitários" (porque só te é dado orar, encontrares-te com os poderosos, apoiar quantos têm a coragem de os iniciar), podes ir ao encontro daquela pergunta que todos pronunciámos quando éramos crianças - «papá, compras-me um gelado?» -, com os olhos reluzentes diante das cores, dos sabores e dos movimentos mágicos do vendedor de gelados. Que nesse momento se torna, inexoravelmente, o melhor homem do mundo. E se o papá nos oferece o gelado «porque hoje é o dia do santo com o meu nome», imprime-se dentro de nós, no nosso coração, que o nosso onomástico é algo de importante.

Não é secundário que a nossa vida tenha a ver com a de um santo. O aniversário recorda-nos que pertencemos ao tempo, o onomástico que estamos ligados a um santo; recorda-nos que o nosso sangue cristão é o mesmo que corre nas veias dos santos, e de um em particular: aquele de quem levamos o nome desde que fomos batizados. Para o papa é Jorge, para mim é Mauro (e se não se tem o nome de um santo, convido-a a escolher um, agora, como amigo).

Foram esbanjados alguns milhares de euros de esmola papal em gelados? Podiam gastar-se melhor? Creio que não. Talvez por ser alérgico aos discursos de quem quereria alugar a Praça de S. Pedro aos migrantes ou transformar a praça em frente num acampamento para ciganos, «visto que o papa é tão favorável aos migrantes, faça ele também qualquer coisa, já que no Vaticano não se faz nada pelos refugiados e só se conversa». Em primeiro lugar, sei que não é verdade que não se faça nada, mas sobretudo creio que a tarefa mais importante de cada um de nós não é mudar o mundo, mas mudar-nos a nós próprios.

Lamentar-se por aquilo que os outros não fazem, sobretudo se se trata de criticar as pessoas famosas, tem a grande vantagem de calar por um instante a nossa má consciência. Essa que atiçamos dizendo-lhe que um gelado dado a uma criança não resolve nem o problema da sua fome nem o da sua integração nem o das tensões Norte-Sul do mundo. Mas tem a desvantagem de não nos tornar melhores: porque, não o esqueçamos, a única maneira de ser bom é fazer boas ações, mesmo que pequenas.

Mauro Leonardi
In Avvenire

domingo, 22 de abril de 2018



Por vezes nos trancamos no nosso mundo, meio que perdido, precisando de uma força, e sem forças até para pedir. É muito bom receber aquela mensagem que diz: calma, vai passar. Mas a mensagem que muda tudo de verdade é a que diz: calma estou passando aí.

Faz toda a diferença poder contar com alguém que entra no universo da nossa solidão, ignora a placa que diz: “ fechado para visitação”. E abre a porta, fecha a janela do computador e te puxa, te traz de volta a vida real. Isso muda a tua realidade, alguém que troque “likes”, mas por sinceridade, não somente para se mostrar simpático ou agradável. E que te faça trocar aqueles cinco mil amigos virtuais, por uma real e boa amizade.

Esse não está somente te seguindo, está te acompanhando, está junto de verdade.

É tipo perguntar: você está perdido? Fique tranquilo pois eu também estou, mas na maioria das vezes a pergunta não é nem para onde, mas sim “Com quem”.

E quando a gente está lado a lado, fica fácil perceber a diferença entre receber um coração, e ser de fato amado. Entre os que estão “online” e quem está conectado. Sinceramente nunca procurei entender bem o conceito de empatia, até perceber que, na prática, a amizade real não precisa de muita teoria. Às vezes, basta servir de companhia. Em silêncio mesmo, porque é aquele silêncio que não te deixa no vácuo, ao contrário te deixa à vontade, não significa que acabou a bateria, significa que você recebeu a mensagem.

Melhor do que dar uma resposta, é dar ouvidos, se não sabe o que falar, fique tranquilo apenas ouça, porque o que realmente importa é a sua presença, e nesse instante ela já terá respondido tudo!!!

Nesse exato momento podem ter certeza, que eu estava conversando com Deus!

Selmo Rocha

segunda-feira, 16 de abril de 2018



«O cristianismo é proximidade, 
o que faz a diferença entre o burocrata e o pastor: 
um conta o número de ovelhas, 
o outro procura cuidar delas»