terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Não me Move



Não me move,
Senhor, para Te amar
O Céu que me prometestes, 
Nem me move o inferno tão temido 
Para deixar, por isto, de Te ofender.

Tu me moves, Senhor!
Move-me ver-Te
Pregado em uma Cruz e escarnecido;
Move-me ver Teu Corpo tão ferido;
Movem-me Tuas afrontas e Tua morte.

Move-me, enfim, o teu amor.
E de tal maneira,
Que ainda que não houvesse Céu,
eu Te amaria;
E ainda que não houvesse inferno,
eu Te temeria.

Nada tens que me dar
para que eu Te queira,
Pois, mesmo que eu
não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero,
Eu te quereria.

Santa Teresa de Ávila

sábado, 6 de janeiro de 2018



COMO CHEGAMOS A UMA DECISÃO?

Pensamos para decidir bem, mas o momento da decisão não é racional. Decidir é passar da deliberação à ação, deixando o pensamento para trás. A decisão implica sempre uma cisão, uma rutura, um corte.

O momento crítico da decisão é uma espécie de salto interior que estabelece uma distância enorme entre o antes e o depois. Um instante chega para que mudemos de rumo e comecemos um novo capítulo na história da vida.

Decidir é preferir entrar por uma porta, o que implica preterir todas as outras. E há quem não consiga aceitar que a vida é feita de sacrifícios que exigem deixar para trás coisas boas, em vista de outras, melhores.

As dúvidas e incertezas não desaparecem com a decisão. Muitas vezes, se lhe dermos espaço interior, até aumentam. No entanto, como é tempo de aplicar o que se determinou, devemos guardar para depois as análises e avaliações. Se passarmos o tempo à espera de resultados, não fazemos nada. Há tempo para pensar e tempo para agir. Decidir não é só mudar de um tempo de meditação para outro.
Não devemos cair na tentação de ficar à espera que as circunstâncias e o tempo decidam por nós.

Quantas decisões importantes são tomadas com base em detalhes ou estados de espírito passageiros? Mas antes assim do que as que à custa de tanta cobardia face ao medo se adiam ao ponto de renunciarmos ao essencial da nossa liberdade.

Cabe a cada um de nós determinar os seus objetivos e descobrir a sua missão.
Decidir não é apenas escolher onde colocar o pé no próximo passo, é também decidir quando será dado. Mais, é dá-lo no sentido e no tempo certos.

As hesitações não são prudentes, são fúteis e fatigantes. A existência é determinada pelas nossas decisões, não pelas nossas circunstâncias. De que vale saber a solução depois do tempo? Quem espera pela perfeição para agir nunca faz nada! Querer saber tudo para depois decidir é o mesmo que viver num mundo onde não fazemos falta.

Os compromissos são duradouros e têm decisões concretas como pilares. Deixamos de ser decisores para passarmos a ser a própria decisão.

O medo paira em torno dos que escolhem ser senhores do seu destino. A sua força está em aceitarem que a vida é mesmo assim: uma aventura cheia de altos e baixos onde a felicidade é a alegria de sentir que, apesar de tudo, nunca paramos de seguir para diante! O que passa será passado, apresentemo-nos nós ao amanhã.

As consequências das nossas resoluções são sempre mais do que aquelas que nos é possível prever. Mas decidir é abrir portas e avançar, não é fechá-las e escondermo-nos.

Se não souberes para onde ir, toma atenção ao vento que sopra… e vai, não para onde ele vai sem ti… mas para onde tu queres ir, com ele.

José Luís Nunes Martins

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A graça de ser de novo.



O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
Não te peço mapas, peço-te caminhos:
o gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas,
suas mudanças, sua beleza.

Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias
se entusiasmem na construção da vida.

Não te peço que pares o tempo
na minha imagem predileta,
mas que ensines meus olhos
a encarar cada tempo
como uma nova oportunidade.

Afasta de mim as palavras
que servem apenas para evocar cansaços, desânimos e distâncias.
Que eu não pense saber já tudo
acerca mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
a graça de ser de novo.

(Pe. José Tolentino Mendonça)

domingo, 10 de dezembro de 2017

O CEO da Tesla e SpaceX, Elon Musk (Foto: Reprodução/YouTube)

Em e-mail, Elon Musk dá uma verdadeira lição em liderança:

'Não há palavras que possam expressar o quanto eu me preocupo com a sua segurança e bem estar. Meu coração fica partido quando alguém se fere construindo carros e tentando dar seu melhor para fazer o sucesso da Tesla.

A partir de agora, eu pedi que qualquer acidente desse tipo fosse reportado diretamente a mim, sem exceção. Vou me encontrar com a equipe responsável pela segurança a cada semana e gostaria de encontrar cada pessoa ferida tão logo esteja bem, para que eu possa ouvi-los e entender o que exatamente precisamos fazer para melhorar o processo. Eu irei então até a linha de produção para realizar a mesma tarefa dessas pessoas.

É isto que todos os gerentes da Tesla deveriam fazer, aliás. Na Tesla, nós lideramos a partir da linha de frente, não de alguma torre de marfim confortável e segura. Gerentes precisam colocar sempre a segurança de sua equipe acima da sua própria.'"

O autor Daniel Coyle observa que Elon Musk não tenta proteger o grupo ou minimizar o problema. Ele se conecta com seus colaboradores através de três sinais:

1. Ele expressa um arrependimento pessoal intenso ("Meu coração fica partido")

2. Ele demonstra que se importa ("Eu pedi que qualquer acidente desse tipo fosse reportado diretamente a mim, sem exceção", "Gostaria de encontrar cada pessoa ferida tão logo esteja bem", "Eu irei então até a linha de produção para realizar a mesma tarefa dessas pessoas")

3. Ele define a identidade da cultura ("Na Tesla, nós lideramos a partir da linha de frente, não de alguma torre de marfim confortável e segura")

Ou seja, diz Coyle, em poucas palavras, Musk prova que liderança cultural não tem a ver com proteção e sim, conectar-se com as pessoas que trabalham para você.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Foto de Nuno Westwood.

Maria,
Gosto de pensar
que foi também a tua fraqueza a sustentar a tua força,
que soubeste aceitar a travessia de tantas incertezas,
colando o teu coração a uma confiança que não se via
E que por isso não te é estranha a minha turbulência confusa,
a minha indecisão, os medos que me assaltam a certas horas
e que Tu abraças compreendendo tudo.
Gosto de lembrar que difícil foi o teu caminho
cheio de estorvos mais duros do que aqueles que enfrento
batido por sombras, derivas e dores;
E que o teu olhar se tornou um imenso regaço
onde posso entregar isto que me custa tanto
e que Tu abraças compreendendo tudo.
Gosto de saber que achaste que os planos de Deus
te ultrapassavam infinitamente
e mais de uma vez te sentiste pequena, sozinha e incapaz,
como tantas vezes me sinto.
E também por isso, no fundo, experimento
que Tu me abraças, compreendendo tudo.
(José Tolentino Mendonça)